HIV E AIDS - TRATAMENTO

Pessoas que vivem com HIV devem tomar remédios para tratar o HIV o mais rápido possível. O medicamento contra o vírus causador da aids é chamado de terapia anti-retroviral ou "coquetel". Se tomado como prescrito, o medicamento reduz a quantidade de HIV no corpo (carga viral) para um nível muito baixo. Com o medicamento adequado, se evita que o corpo seja sobrecarregado com o excesso de atividades e se mantém o sistema imunológico funcionando, prevenindo doenças. O remédio contra o HIV pode até tornar a carga viral tão baixa que o exame que faz a contagem das cópias do vírus não consegue detectá-lo. É o que chamamos de carga viral indetectável .

Atingir e manter uma carga viral indetectável é a melhor coisa que a pessoa que vive com VIH pode fazer para se manter saudável. Outro benefício em reduzir a quantidade de vírus no corpo é que ele ajuda a prevenir a transmissão para outras pessoas através do sexo e da mãe para o bebê durante a gestação e parto. Chamamos isso de Tratamento como Prevenção, ou TasP, na sigla em inglês. Há estudos científicos mundiais sobre o tratamento como prevenção e a não transmissão do vírus por pessoas indetectáveis.

Início do tratamento

O início do tratamento com medicamentos antirretrovirais é um dos momentos mais difíceis para a pessoa que vive com HIV, pois uma nova rotina deve ser incorporada em sua vida. E os remédios podem lembrá-lo a cada momento da doença. Por isso, amigos, familiares e os profissionais de saúde podem ajudar a pessoa a enfrentar o início da terapia e encarar os medos naturais que vão aparecendo.

É preciso tomar os remédios corretamente, mesmo que se sinta alguns efeitos colaterais. Não se deve abandonar nunca o tratamento sem comunicar à equipe de saúde que te acompanha. O profissional vai encontrar uma maneira de reduzir estes efeitos e dar dicas para melhorar a adesão. A adesão é um dos maiores desafios para a os pacientes. Por isso, na conversa com a equipe de saúde, a pessoa que vive com HIV deve listar as dificuldades que venham a surgir. Seguir todas as recomendações médicas relacionadas aos remédios, alimentação e praticar exercícios físicos é fundamental para aumentar a qualidade de vida de qualquer pessoa, da pessoa que vive com HIV não é diferente. O uso de qualquer outro medicamento, álcool e drogas deve ser avisado ao médico para a troca de informações sobre interação e possíveis reações do organismo. Porém, já adianto que os medicamentos antirretrovirais não interagem com bebida alcoólica.

Dicas

Diversas ações podem ser adotadas para ajudar as pessoas que vivem com HIV no processo de adesão. Lembrando sempre que aderir ao tratamento não significa, apenas, tomar os comprimidos todos os dias, mas aderir a todo um comportamento que vai ajudar na adesão à terapia antirretroviral.

Ter consigo um porta-pílulas, colocar alarme no celular para tomar os medicamentos ou baixar aplicativos bastante completos pode ser uma "mão na roda" para não se esquecer dos horários.

Participar de grupos de apoio e ajuda, sejam eles físicos ou virtuais, também podem nos ajudar a tirar o peso que carregamos pelo estigma do HIV. Muitas das vezes, porém, o autopreconceito é maior que o preconceito da sociedade, em geral.

Ah, e bebida alcoólica não interfere nos medicamentos antirretrovirais. Ou seja, você não precisa deixar de tomar sua cerveja ou vinho. É claro que os malefícios do álcool são conhecidos há tempos, mas os medicamentos antirretrovirais não devem ser o motivo pelo qual você optou por parar. Apesar de considerar que o processo de fortalecimento do autocuidado extrapola os cuidados com o HIV e engloba uma série de atitudes e práticas que melhorar sua saúde num geral.

Medicamentos

Os medicamentos antirretrovirais surgiram na década de 1980, para impedir a multiplicação do vírus no organismo. Eles não matam o HIV, vírus causador da aids, mas ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico. Por isso, seu uso é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida de quem vive com HIV.

 

Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) o coquetel antiaids para todos que desejam o tratamento. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 850 mil pessoas vivem com HIV e quase 600 mil recebem regularmente os medicamentos para evitar o adoecimento pelo HIV. Atualmente, existem 21 medicamentos divididos em 37 apresentações (diferentes dosagens e modo de tomar) e seis classes diferentes.

Muitos dos medicamentos estão em constante atualização para que causem o mínimo de efeito colateral de curto, médio e longo prazos. Ao mesmo tempo, medicamentos novos estão sendo criados. Hoje, os medicamentos já não possuem efeitos colaterais importantes.

Atualmente, o tratamento oferecido no Brasil é considerado um dos melhores do mundo e é composto por Dolutegravir + Tenofovir + Lamivudina. Estudos importantes afirmam que este tratamento faz com que as pessoas atinjam a carga viral indetectável mais rápido e com menos efeitos colaterais relatados.

Apoio e ajuda

Atualmente, a Rede Mundial de Pessoas que Vivem e Convivem com HIV dispõe de diversos espaços para a troca de experiências entre pessoas que vivem, convivem ou que são de alguma maneira afetadas pelo vírus causador da aids.

O grupo fechado do Facebook e os diversos grupos do WhatsApp são usados para o compartilhamento de informações e questões triviais que podem, de alguma maneira, interferir na adesão ao tratamento e na qualidade de vida.

Encontros presenciais também são frequentemente organizados por membros dos grupos em diferentes partes do Brasil.

Hoje, o grupo conta com mais de 3 mil pessoas espalhadas por mais de 25 países do mundo.

O suporte social também pode ser dado por familiares, amigos, pessoas de grupo religioso ou integrantes de instituições de saúde, educação ou qualquer outra.

Efeitos colaterais

O tratamento com os medicamentos antirretrovirais traz muitos benefícios aos pacientes: aumentam a sobrevida e melhoram a qualidade de vida de quem segue corretamente as recomendações médicas. Mas, como os medicamentos carregam substâncias fortes (para impedir a multiplicação do vírus no organismo), podem causar alguns efeitos colaterais desagradáveis.

Em geral, esses efeitos colaterais ocorrem logo no início do tratamento e, na maioria dos casos, desaparecem ou são atenuados após as primeiras duas ou três semanas de uso do medicamento. Entre os mais relatados estão: diarreia, vômitos, náuseas, boca seca, azia, prisão de ventre, manchas avermelhadas pelo corpo (chamadas pelos médicos de rash cutâneo) e insônia.

Isso pode estar relacionado com características pessoais, estilo e hábitos de vida, mas não significa que o tratamento não está dando certo.

A alimentação é muito importante para melhorar alguns sintomas ou efeitos colaterais que podem aparecer com o uso dos medicamentos. Nesses casos, alguns cuidados com a alimentação são fortes aliados e necessários para manter o equilíbrio do organismo, a hidratação do corpo e recuperar o bem-estar.

É importante saber que existem diversas alternativas para melhorá-los. Por isso, é recomendável que o a pessoa que está passando por esses eventos adversos procure o serviço de saúde em que faz o acompanhamento, para que possa receber o atendimento adequado. Em nenhum casos recomenda-se a automedicação (pode piorar o mal-estar). Da mesma forma, não se deve abandonar o tratamento sem orientação médica, pois isso pode causar resistência no vírus e problemas mais graves.

Além dos efeitos colaterais temporários descritos acima, os pacientes podem sofrer com alterações que ocorrem a longo prazo, resultantes da ação do HIV, somados aos efeitos dos medicamentos. Os medicamentos anti-HIV podem causar danos aos rins, fígado, ossos, estômago, intestino e neuropsiquiátricos. Além disso, podem modificar o metabolismo, provocando lipodistrofia (mudança na distribuição de gordura pelo corpo), diabetes, entre outras doenças.

O tratamento com medicamentos mais antigos também podem levar ao aparecimento de algumas condições associadas, como a dislipidemia (aumento das gorduras no sangue), hipertensão arterial e intolerância à glicose. A dislipidemia é caracterizada por níveis altos de triglicérides, aumento do colesterol total e do colesterol LDL (mau colesterol) e diminuição do colesterol HDL (bom colesterol).

Porém, estes efeitos colaterais mais sérios NÃO SÃO COMUNS NOS MEDICAMENTOS MAIS MODERNOS. Isso é muito importante.

E se você não estiver feliz com seu tratamento, converse com a equipe de saúde que lhe atende. Eles poderão avaliar se é possível alterar seus medicamentos.

Redes sociais e contato

  • YouTube
  • Fanpage
  • Instagram
  • Twitter
  • WhatsApp

©2012 por Rede Mundial de Pessoas que Vivem e Convivem com HIV