10 coisas sobre a carga viral indetectável

Atualizado: 2 de Jun de 2019


O desenvolvimento de medicamentos antirretrovirais (ARV) para tratar o HIV transformou o que era uma infecção quase sempre fatal em uma condição crônica gerenciável. A terapia antirretroviral (TARV) diária pode reduzir a quantidade de HIV no sangue para níveis que são indetectáveis ​​nos exames usados para contá-los. Permanecer no tratamento é importantíssimo para manter o vírus suprimido e a carga viral indetectável. Pesquisas demonstraram que alcançar e manter uma carga viral "duradouramente indetectável" não só preserva a saúde da pessoa que vive com HIV, mas também evita a transmissão sexual do vírus em uma relação sexual sorodiferente (quando um vive com HIV e o outro não).


1. O que é a supressão viral?


A terapia antirretroviral evita que o HIV faça cópias de si mesmo. Quando uma pessoa que vive com HIV (PVHIV) inicia a terapia com antirretrovirais (TARV), sua carga viral cai drasticamente. Para quase todos os que começam a tomar a medicação anti-HIV diariamente, a carga viral caiu para um nível indetectável em menos de seis meses.


2. O que significa se manter indetectável?


Tomar a terapia antirretroviral (TARV) diariamente, conforme prescrito, baixa os níveis de HIV e leva a um estado de "indetectável". Considera-se que uma pessoa possui uma carga viral indetectável se ela permanecer assim durante, pelo menos, seis meses após o primeiro resultado de teste indetectável. É essencial continuar tomando todas as pílulas e todos os dias, conforme indicado, para manter uma carga viral indetectável.


3. Se manter indetectável significa que o vírus saiu do corpo? A pessoa está curada?


Mesmo quando a carga viral é indetectável, o HIV ainda está presente no corpo. O vírus está escondido dentro de células no corpo chamado reservatórios virais ou santuários. Quando a terapia é interrompida, seja por alguns dias ou definitivamente, o vírus volta e começa a se multiplicar, tornando-se detectável novamente e, muitas vezes, resistente aos medicamentos que eram usados.


4. Se mantendo indetectável, a pessoa pode transmitir o HIV para um parceiro sexual?


As pessoas que vivem com o HIV (PVHIV), que tomam medicamentos antirretrovirais diariamente conforme prescrito e que conseguem se manter indetectáveis não transmitem sexualmente o vírus para um parceiro soronegativo.


Três grandes estudos, que incluíram vários países e envolveram casais sorodiferentes, quando um vivia com o HIV e o outro não (HPTN 052, PARTNER e Opposits Attract), observaram que não houve nenhum caso de transmissão do HIV, mesmo nas relações sexuais sem camisinha, desde que parceiro com HIV apresentasse uma carga viral indetectável. Esses estudos acompanharam cerca de 3.000 casais homens e mulheres por muitos anos. Os casais voluntários não usavam preservativo nas relações sexuais. Ao longo dos estudos PARTNER e Opposites Attract, os casais relataram mais de 74 mil transas vaginais ou anais.


5. Depois de quanto tempo de tratamento com antirretrovirais pode-se considerar como zero o risco de transmitir o HIV?


Não existe efetivamente nenhum risco de transmissão sexual do HIV quando o parceiro que vive com o vírus atingiu uma carga viral indetectável e a manteve por pelo menos seis meses. A maioria das pessoas que vivem com HIV (PVHIV) que começam a terapia antirretroviral (TARV) corretamente atinge uma carga viral indetectável dentro de um a seis meses após o início do tratamento.


A carga viral de uma pessoa é considerada "indetectável" quando todos os resultados do teste de carga viral são indetectáveis ​​pelo menos seis meses após o primeiro resultado de teste indetectável. Isso significa que a maioria das pessoas precisará estar no tratamento por 7 a 12 meses para ter uma carga viral indetectável, de fato.


6. O que acontece se eu parar de tomar terapia antirretroviral?


Quando a terapia é interrompida, a carga viral se recupera e retorna o risco de transmissão do HIV para um parceiro sexual. Uma pesquisa forneceu evidências científicas claras para apoiar os benefícios de permanecer no tratamento antirretroviral contínuo. Em 2006, o grande ensaio clínico chamado SMART mostrou que as pessoas que receberam tratamento antirretroviral intermitente, ou seja, que tomavam os medicamentos sem uma periodicidade como é feito hoje, apresentaram o dobro de chance de a doença progredir, se comparado com quem tomava todos os dias no mesmo horário.


Tomar os comprimidos diariamente, é o indicado para alcançar e manter o estado indetectável, impedindo a evolução da infecção por HIV. Isso ajuda as pessoas vivendo com HIV (PVHIV) a permanecerem saudáveis ​​e a viver mais tempo, além de não transmitir o vírus por via sexual. Parar e reiniciar o tratamento pode causar resistência aos medicamentos, tornando o regime de tratamento ineficaz e limitando as futuras opções de tratamento.


7. Quantas vezes uma pessoa precisa ser testada para confirmar que está indetectável?


De acordo com as diretrizes de tratamento do HIV no Brasil, a carga viral normalmente deve ser medida a cada seis meses. As pessoas que vivem com HIV devem conversar com a equipe de saúde que lhe atende para determinar um cronograma apropriado para o teste de carga viral.


8. O que são os "blips virais”?


Mesmo que uma pessoa esteja indetectável e tome terapia antirretroviral corretamente,, ela pode ter alguns resultados com um pequeno aumento de carga viral chamado “blip viral”. O valor no blip não deve ultrapassar 1000 cópias do vírus por mm³ de sangue. Esse estágio é transitório e volta ao indetectável em poucos dias. Ter um blip é bastante comum e não indica que a terapia antirretroviral não esteja controlando o vírus. Os cientistas ainda estão tentando entender melhor como funciona e o que causa o blip.


9. Como falo com meu parceiro sobre o risco de adquirir HIV?


As pessoas que vivem com HIV podem envolver seus parceiros em seus planos de tratamento. Algumas pesquisas mostram que é mais fácil aderir ao tratamento quando se tem o apoio das pessoas com quem nos relacionamos afetivamente e outras pessoas como familiares, parentes e amigos.


A profilaxia pré-exposição (PrEP), na qual uma pessoa sem o HIV toma medicação antirretroviral para prevenir a infecção, pode fazer parte da conversa. No Brasil, parceiros soronegativos de pessoas que vivem com o HIV (relacionamento sorodiferente) podem procurar uma unidade de saúde que tenha a PrEP e solicitar a sua.


10. Ainda é preciso se preocupar com outras infecções sexualmente transmissíveis (IST)?


Nem o tratamento contra o HIV nem a PrEP previnem outras infecções sexualmente transmissíveis (IST).


A testagem frequente das IST pode reduzir o risco. Também, pode-se usar a camisinha que é o método mais fácil, simples, barato, disponível e sem efeitos colaterais de todos. Algumas vacinas contra algumas IST também estão disponíveis pelo SUS, como a que previne contra o HPV e a hepatite B.


Fonte: National Institute of Allergy and Infectious Diseases

Tradução: Super Indetectável

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