9 equívocos que você provavelmente tem sobre HIV e aids

Atualizado: 2 de Jun de 2019


O HIV e a aids não são notícia como há 20 anos, mas ainda é um grave problema de saúde pública, principalmente entre os mais jovens. Mais de 35 milhões de pessoas vivem atualmente com HIV em todo o mundo, e mais de metade delas nem sabem disso. No Brasil, cerca de 135 mil pessoas não fizeram o teste e, logo, não foram diagnosticadas e podem estar adoecendo.


Mas enquanto a Organização Mundial de Saúde diz que o vírus matou cerca de 39 milhões de pessoas desde 1981, o HIV e a aids continuam carregados de desinformação.


Coletamos, então, algumas das dúvidas e mitos mais presentes para tentar explicar melhor como tudo isso funciona. Selecionamos grandes equívocos que ativistas e governos de todo o mundo tentam combater:


Mito #1: o HIV é uma sentença de morte.


"Com um tratamento adequado, vemos que as pessoas com HIV podem ter uma vida normal", diz o Dr. Michael Horberg, diretor nacional de HIV/aids da Kaiser Permanente.


"Desde 1996, com o advento da terapia antirretroviral altamente ativa (chamada de HAART, em inglês), uma pessoa com HIV em uma nação mais desenvolvida pode esperar viver uma vida normal, desde que tomem seus medicamentos prescritos", acrescenta o Dr. Amesh A. Adalja, infectologista certificado pela Universidade de Pittsburgh.


Mito #2: Você pode dizer se uma pessoa tem HIV ou aids simplesmente olhando para ela.


Muitas vezes, não há sinais visíveis de HIV ou aids. "Algumas pessoas desenvolvem sintomas de HIV logo após serem infectadas. Para outros, pode demorar até 10 anos para que os sintomas apareçam", diz o Dr. Gerald Schochetman, diretor sênior de doenças infecciosas com a Abbott Diagnostics. Schochetman trabalhou no CDC (Centers for Disease Control and Prevention americano) durante o auge da crise da aids. Além disso, os primeiros sintomas do HIV, incluindo febre, fadiga e dores musculares, quando acontecem, duram apenas algumas semanas.


"Assim, é muito difícil para alguém saber se ela ou outra pessoa têm HIV sem serem devidamente testadas", diz Schochetman. Portanto, a única maneira de ter certeza é com o teste ou exame anti-HIV.


Mito #3: heterossexuais não precisam se preocupar com a infecção pelo HIV. Essa doença só atinge os gays.


Nós sabemos que o grupo mais vulnerável são os homens que fazem sexo com homens. Este grupo apresenta taxas de prevalência 20 vezes maior que os heterossexuais, assim como as mulheres travestis e transexuais, que são ainda mais afetadas pelo vírus.


No entanto, no Brasil, os homens heterossexuais representam quase 40% dos infectados com HIV. As mulheres, 98% eram heterossexuais. Ou seja, qualquer pessoa que fizer sexo está suscetível ao HIV. É importante conhecer todas as estratégias de prevenção existentes para escolher aquela que melhor se encaixa no seu estilo de vida.


Mito #4: pessoas que vivem com HIV não podem ter filhos com segurança.


É possível ter filhos livres do HIV, mesmo se você ou seu(a) parceiro(a) viverem com o vírus. Embora seja impossível garantir que a infecção não transmita à criança, o Ministério da Saúde do Brasil afirma que existem maneiras de reduzir o risco a menos de 1%. Nesse caso, a terapia com antirretrovirais da mãe e o pré-natal são importante para que a mãe não transmita para o bebê durante a gestação ou o parto. Até o momento, evidências científicas indicam que a mãe não deve amamentar o bebê.


"Enquanto o(a) parceiro(a) HIV+ toma sua medicação corretamente e tem uma carga viral indetectável, a probabilidade de transmitir a infecção para o filho é mínima", explica a psicoterapeuta Keeley Teemsma, que se especializou no tratamento de pacientes com HIV.


Mito #5: o HIV sempre leva à aids.


O HIV é o vírus que causa a aids se não for tratado. Mas isso não significa que todos os indivíduos HIV+ realmente desenvolverão a síndrome, que é o conjunto de sinais e sintomas decorrentes da deficiência da imunidade.


"Com as terapias atuais, os níveis de infecção pelo HIV podem ser controlados e mantidos baixos, mantendo o sistema imunológico saudável por período indeterminado e, portanto, prevenir infecções oportunistas e um diagnóstico de aids", explica o Dr. Richard Jimenez, professor de saúde pública na Universidade de Walden.


Mito #6: Com todos os tratamentos modernos, o HIV não é tão ruim assim.


Um pensamento que banaliza o HIV leva muitas pessoas a assumirem comportamento que os coloca em grande risco de infecção.


O Super Indetectável acredita que o sucesso no tratamento do HIV não deve justificar a falta de compromisso com a saúde e cuidado no dia a dia. Assumir o risco em algumas situações deve vir associado a uma boa gestão desse risco e conhecimento avançado dos cuidados que se deve ter.


Mito #7: Se eu tomar a PrEP, não preciso usar camisinha.


A PrEP (profilaxia pré-exposição) é uma medicação que pode prevenir a infecção pelo HIV. Segundo o Dr. Horberg, um estudo recente da Kaiser Permanente acompanhou pessoas que usaram a PrEP por dois anos e meio e descobriu que ela era realmente eficaz na prevenção de infecções por HIV.


No entanto, os comprimidos da PrEP não protegem contra outras infecções sexualmente transmissíveis. E existem infecções muito sérias que podem, inclusive, levar à morte quando não tratada.


Recomenda-se que a PrEP seja usada em combinação com práticas de sexo mais seguro e outras medidas de prevenção, pois no estudo também mostrou que a metade dos pacientes participantes foi diagnosticada com uma infecção sexualmente transmissível após 12 meses.


Mito #8: Se você testar negativo para o HIV, você pode ter relações sexuais desprotegidas.


Se você ou seu(ua) parceiro(a) estiverem infectados recentemente com o vírus, pode não aparecer em um teste anti-HIV.


Os testes anti-HIV usados ​​tradicionalmente ​funcionam detectando a presença de anticorpos no organismo que se desenvolvem quando o HIV infecta o corpo, porém, pode-se levar cerca de três semanas para que produza anticorpos suficientes para a detecção.


É o que chamamos de janela imunológica. Os testes e exames usados no Brasil detectam a presença de anticorpos anti-HIV em períodos que vão de 5 a 26 dias. Por isso, dizemos que apenas exames feitos há mais de 30 dias após o último contato de risco é que pode oferecer um diagnóstico real, desde que a pessoa não tenha sido exposta a outra situação. Indicamos a testagem após 30 dias de cada contato de risco ou em tempos regulares de três em três meses, quando há exposição frequente.


Mito #9: se ambos os parceiros tiverem HIV, não há motivo para usar camisinha.


Nem todas as cepas do HIV são as mesmas, e estar infectado com mais de um tipo pode levar a maiores complicações, ou uma superinfecção.


Alguns tipos de HIV podem exibir um perfil de resistência a drogas diferente do que a infecção de HIV original. Alguns vírus podem ser resistentes a diversos tipos de drogas antirretrovirais, tornando-o ineficaz.


Entre pessoas que vivem com o HIV mas estão em tratamento e se mantém indetectável, verifica-se que não é possível haver reinfecção, considerando os estudos de PrEP e intransmissibilidade do HIV (quando a PVHIV está indetectável), uma vez que tanto a dose de medicamento e a ausência de vírus circulando na corrente sanguínea, impedem que ocorra a transmissão.


Porém, casos em que os parceiros sexuais não estão fazendo o tratamento, a possibilidade de reinfecção e seleção de cepas de vírus multirresistente aumenta muito.


Finalizando...


Embora, infelizmente, não haja cura para o HIV, as pessoas que vivem com o vírus podem viver vidas longas e produtivas, assim como qualquer pessoa que cuida da sua saúde.


"Embora as terapias antirretrovirais atuais possam ser muito eficazes para manter a infecção pelo HIV em níveis indetectáveis e impedindo que ele se replique e destrua o sistema imunológico, não há cura para a infecção ou uma vacina contra o HIV, o vírus que causa aids”, explica o Dr. Jimenez.


Apesar de o número de novas infecções por HIV tenha estabilizado, de acordo com o Ministério da Saúde, ainda existem aproximadamente 40 mil novas infecções e 12 mil mortes por ano apenas no Brasil.


De uma maneira geral, novos casos de infecção pelo HIV têm aumentado entre certas populações mais vulneráveis, incluindo homens jovens que fazem sexo com homens e populações de difícil acesso.


O que isso significa? A doença do HIV ainda é uma grande preocupação de saúde pública. Mesmo com o tratamento universal para qualquer pessoa que se descobre com HIV, a vasta oferta de testes gratuitos anti-HIV e de outras muitas estratégias de prevenção, como a PrEP e a PEP, não podemos baixar a guarda.


Fonte: Health Line

Tradução, adaptação e atualização: Super Indetectável

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