Brasil reconhece que HIV Indetectável = Intransmissível



O Ministério da Saúde do Brasil finalmente reconheceu a importância da expressão INDETECTÁVEL = INTRANSMISSÍVEL por meio de nota informativa emitida pelo Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, no dia 14 de maio de 2019.


A nota cita e referencia as importantes evidências científicas que comprovam que pessoas que vivem com HIV (PVHIV), que mantêm boa adesão ao tratamento com medicamentos antirretrovirais adequados e atingem a carga viral indetectável¹ NÃO TRANSMITEM O VÍRUS para suas parcerias sexuais.


Apesar de o Brasil expor, desde 2013, em seus manuais e documentos oficiais que o tratamento contra o HIV pode ser usado como prevenção (TasP), o reconhecimento do termo I=I traz um posicionamento importante na luta contra o preconceito e a discriminação. O termo já foi reconhecido por inúmeros países e organizações, inclusive a ONU.

Segundo o Ministério da Saúde, “o reconhecimento do I=I pode gerar impacto positivo nas relações das pessoas que vivem com HIV, pois se contrapõe a conceitos passados de que todas as PVHIV são potenciais transmissoras do HIV por via sexual, o que está atrelado a estigmas e preconceito. Uma correta compreensão sobre transmissibilidade e intransmissibilidade tem efeitos positivos sobre o estigma e a autoestima, direitos sexuais e reprodutivos, testagem, vinculação aos serviços de saúde e adesão ao tratamento".

O governo reforça o impacto positivo da campanha I=I na adesão à terapia antirretroviral, uma vez que as PVHIV têm um incentivo a mais para aderirem ao tratamento, pois, além dos benefícios individuais do controle do vírus, ainda podem se relacionar sem as preocupações do passado. Porém, infelizmente, a nota também ressalta que ainda não existem evidências científicas consistentes para garantir a não transmissão do HIV pelo leite materno durante a amamentação.


Na mesma linha do post publicado no Super Indetectável, onde dizia que “negar que INDETECTÁVEL = INTRANSMISSÍVEL é negar um direito humano”, o Ministério da Saúde recomenda que profissionais de saúde de todo o país orientem a população sobre o I=I, como forma de enfrentamento do estigma e o preconceito, assim como o fortalecimento da autoestima e adesão das pessoas que vivem com o HIV.



¹. O medicamento antirretroviral contra o HIV impede a replicação do vírus no organismo do portador, fazendo com que o número de cópias do microrganismo reduza ao ponto de não poder ser contado nos exames conhecidos como Carga Viral. Costumamos dizer que uma pessoa está INDETECTÁVEL quando ela atinge este nível.


REFERÊNCIAS

1. MINISTÉRIO DA SAÚDE: Nota Informativa nº 5/2019 DIAHV/SVS/MS. Mai/2019. Disponível em http://bit.ly/2w4wgZt

2. UNAIDS: O que significa estar com a carga viral indetectável? Jul/2017. Disponível em http://bit.ly/2JLdoGU

3. SUPER INDETECTÁVEL: Negar que “Indetectável = Intransmissível” é negar um direito humano. Abr/2019. Disponível em http://bit.ly/2VKrYWq

4. SUPER INDETECTÁVEL: Nota Informativa nº 5/2019 na íntegra. Mai/2019. Disponível em http://bit.ly/2WdKuWg

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