Departamento de Aids acaba com redes sociais por ordem de Bolsonaro


Sim, todas as redes sociais do antigo Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais foram desativadas. A notícia foi divulgada hoje pelo perfil do Instagram da organização, mas isso não é o fim. A previsão é que o site também saia do ar. Isso faz parte do plano nefasto de controle da mídia que o presidente quer ter.


Para quem não sabe, as redes sociais do Departamento foram criadas por mim em janeiro de 2013, tão logo assumi meu posto de trabalho na organização. Por tratar de temas sensíveis e populações marginalizadas, enfrentou desde sempre (ainda no governo de Dilma) problemas com alas conservadoras que apoiavam a presidência e tentativas de censura e controle severo de informações. Apesar disso, gestores comprometidos, comunicadores capacitados e técnicos engajados conseguiram argumentar e alcançar (sem mídia paga) um público seleto e qualificado que incluía profissionais de saúde, gestores e integrantes da sociedade civil.


O conteúdo e as estratégias de comunicação criados pela visão técnica de diferentes profissionais foi aproveitada por diversas organizações e auxiliou na disseminação de informação importantes sobre a prevenção, diagnóstico e controle do HIV, outras infecções sexualmente transmissíveis e as hepatites virais.


Porém, em abril, o presidente Jair Messias Bolsonaro assinou o Decreto nº 9.756/2019, deixando clara a intenção de reunir todas as informações num único portal chamado gov.br. Nesse endereço estariam reunidas notícias e informações de todo o governo federal assim como de autarquias, fundações e outras organizações e instituições ligadas ao governo. A medida vai afetar diretamente todos os sites, redes sociais e aplicativos governamentais, que teriam a gestão concentrada na Secretaria Especial de Comunicação Social (SECOM) da Presidência da República, responsável por fazer a "triagem", seleção e publicação do conteúdo.


Quem entende de tecnologia sabe que isso não dará certo, uma vez que o fluxo de informação é tão descomunal que o site ficaria mais fora do ar do que em funcionamento. Ao mesmo tempo, o maior problema é a seleção política dos dados, deixando de lado sua importância técnica e científica, visando apenas uma imagem positiva do país.


É bom lembrar que, recentemente, o presidente avisou que os dados sobre desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) deve ser enviado a ele antes de qualquer divulgação, com a finalidade de fazer uma "triagem política" das informações que podem "prejudicar o governo". Também, o presidente já deixou claro o interesse em interferir na prova do ENEM entre outras tentativas de censura.


Para finalizar, gostaria de lembrar que o controle da mídia e a tentativa de desqualificação da mídia tradicional foi plano de grandes tiranos, incluíndo Hitler, militares na Ditadura e o presidente Nicolas Maduro. Estamos sim vivendo uma ditadura silenciosa e ela está vindo através de decretos e portarias. Não são apenas as redes sociais e sites que sofrerão com essas mudanças, mas teremos danos severos nas políticas de aids, assim como de toda política de saúde, educação, meio ambiente, relações internacionais, relações de trabalho entre outras.

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Redes sociais e contato

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