Deu positivo. E agora?

Para o DEU POSITIVO. E AGORA



Para o estrategista de marketing e youtuber João Geraldo Netto, de 36 anos, o diagnóstico chegou há dez anos como uma bomba. Ele vivia um relacionamento estável há seis anos com um outro homem que, ele sabia, não tinha o HIV. O resultado positivo foi uma grande surpresa. “Nunca imaginei isso”, conta ele. “Surtei, fiquei louco, chorei muito, achei que tinha infectado ele.”


A soropositividade estava tão fora de questão que João nunca tinha feito o teste. “Fomos nos matricular numa academia e o médico pediu vários exames, entre eles, o de HIV. Eu cheguei a argumentar que não precisava porque sabia que meu namorado era negativo, tinha doado sangue fazia pouco tempo, mas ele insistiu e eu cedi.”² De fato, o exame do namorado de João deu negativo. Mas o dele não. “Eu já devia estar infectado desde os 20 anos sem saber. E eu também não estava doente, não sentia nada.”


O namorado de João foi muito companheiro, segundo ele mesmo atesta. “Ficou junto de mim o tempo todo, se mostrou preocupado comigo. Tanto assim que continuamos o relacionamento por mais três anos e terminamos por outros motivos. Nesse sentido, não houve nenhum tipo de problema”, conta.


Como tantos outros que, naquela idade, testaram positivo, João foi para a internet pesquisar sobre a infecção. E como tantos outros também, descobriu que a maior parte das informações disponíveis online era do Ministério da Saúde ou de hospitais. “Não tinha ninguém que falasse sobre isso (de forma menos formal)”, constatou João que, imediatamente, resolveu assumir a tarefa. “Comecei a fazer vídeos simples, em casa mesmo, falando sobre o tema. Fui um dos primeiros a falar no YouTube sobre HIV e AIDS. E teve repercussão, as pessoas gostavam.”


Esses vídeos mexeram com a vida de João em todos os sentidos…


Nesse meio tempo, João conheceu André. “Quando a gente começou a se falar pela internet, eu disse logo: ‘olha, tem uma coisa que você precisa saber’. E ele: ‘é sobre o HIV? Ah, já vi que você faz campanha e tal, por mim, isso não tem nada a ver, estou de boa’. Bom, me apaixonei na hora, né? E ele é lindo, fofinho, um querido!”


Apaixonado, João resolveu pedir André em casamento. E fez um vídeo do momento do pedido que acabou viralizando na internet, com mais de 300 mil visualizações. “O vídeo repercutiu muito e as pessoas acabaram associando as duas coisas: ah, olha só, aquele cara do pedido de casamento é o mesmo que fala sobre HIV. Isso acabou tendo um impacto positivo sobre os meus vídeos de HIV.”


O retorno é grande até hoje, segundo João, embora não financeiro. “Quem ganha dinheiro no YouTube é quem fala sobre maquiagem, né? Mas eu tenho um retorno positivo das pessoas.” Hoje, além do canal, João trabalha como consultor do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde. O retorno pessoal também foi grande, segundo ele. “Eu tenho transtorno de déficit de atenção, então, quando eu falo, tenho mais facilidade para entender as coisas, organizo o raciocínio.”


João criou um personagem para os seus vídeos sobre HIV, uma espécie de alter ego, o Super Indetectável, um super-herói, na verdade. “O indetectável é aquele cara que tem uma carga viral tão baixa que não pode mais transmitir o vírus”, explica ele, didático. “Então, quando a gente chega nesse ponto, se sente meio super-herói mesmo.”


² A legislação brasileira proíbe a exigência do teste de HIV para fins públicos ou privados e pode punir com multa e prisão de 1 a 4 anos a discriminação de pessoas vivendo com HIV, como a segregação no ambiente de trabalho ou escolar, demissão ou negação de emprego por conta da sorologia, ou mesmo pela revelação da sua sorologia sem consentimento.


Conheça mais o João: Superindetectável (YouTube) e @nettinhos (Instagram)

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