Estudo confirma que riscos do Dolutegravir para bebês é menor que o imaginado


Há cerca de dois anos, a observação em um pequeno grupo de mulheres grávidas de Botsuana verificou que o medicamento antirretroviral Dolutegravir poderia ser a causa de deficiência no tubo neural em bebês de mulheres que viviam com HIV e tomaram o medicamento antirretroviral nos três primeiros meses de gestação ou na hora do parto. Essa suspeita fez com que diversos países, inclusive o Brasil, desaconselhassem o uso do medicamento por mulheres que podiam ou desejavam engravidar.


A boa notícia é que foi apresentada na X Conferência Científica Internacional sobre HIV (IAS2019) da International Aids Society, que está acontecendo na Cidade do México, um estudo comprovando que a relação entre o uso do Dolutegravir e a deficiência no tubo neural de bebês é muito menor que se imaginava. O estudo também foi publicado pelo New England Journal of Medicine.


Antes dos resultados desse estudo, mulheres em idade fértil ou que desejassem engravidar deveriam usar o Efavirenz. O Dolutegravir devia ser usado apenas por pessoas que estivessem usando métodos contraceptivos absolutamente seguros, afastando a possibilidade de gestação. É bom lembrar que o Efavirenz é um medicamento bastante eficaz, mas com efeitos colaterais bastante incômodos e frequentes.


No entanto, estudos mais consistentes foram realizados em diferentes países para que se chegasse a um resultado mais conclusivo. Verificou-se, então, que o Dolutegravir oferecia risco pouco maior se comparado com outros medicamentos antirretrovirais. O equivalente a dois casos para cada 1000 em uso do medicamento.


Segundo Meg Doherty, da OMS, "Ainda existe a necessidade de monitorar de perto todos os casos, mas, neste momento, o Dolutegravir deve estar acessível e indicado para mulheres em idade fértil devido aos enormes benefícios que oferece".

Ela se refere aos estudos que comprovaram que o uso do medicamento zera a carga viral do HIV em cerca de 3 meses e garante a recuperação mais rápida da contagem de CD4. E tudo isso, com pouquíssimos efeitos colaterais mais graves ou incômodos.


O Brasil encabeçou a segunda maior pesquisa de vigilância do mulheres grávidas que usaram Dolutegravir e Raltegravir no mundo, e percebeu que nenhum dos bebês gestados pelas 382 grávidas que usaram o Dolutegravir entre 2015 e 2018, desenvolveu algum dano no tubo neural.


REFERÊNCIAS

1. PEREIRA G et al. No occurrences of neural tube defects among 382 women on dolutegravir at pregnancy conception in Brazil. 10th IAS Conference on HIV Science, Mexico City, abstract MOAX0104LB, 2019. Disponível em http://bit.ly/2JZ919B

2. RAESIMA MM et al. Addressing the safety signal with dolutegravir use at conception: Additional surveillance data from Botswana. 10th IAS Conference on HIV Science, Mexico City, abstract MOAX0106LB, 2019. Disponível em http://bit.ly/2y5LVbR

3. ZASH R et al. Neural tube defects by antiretroviral and HIV exposure in the Tsepamo Study, Botswana. 10th IAS Conference on HIV Science, Mexico City, abstract MOAX0105LB, 2019. Disponível em http://bit.ly/2YoI88f

4. ZASH R et al. Neural-tube defects and antiretroviral treatment regimens in Botswana. New England Journal of Medicine, advance online publication, 22 July 2019. Doi: 10.1056/NEJMoa1905230. Disponível em http://bit.ly/2LK1zTh

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