Negar que “Indetectável = Intransmissível” é negar um direito humano.

Atualizado: 24 de Abr de 2019


"Os profissionais de saúde devem informar a todas as pessoas que vivem com HIV que elas não transmitem o vírus a uma parceria sexual quando sua carga viral está indetectável." Esta afirmação foi divulgada em uma das maiores revistas científicas do mundo, a The Lancet.


Segundo os autores do artigo, apesar de os dados científicos comprovarem de forma esmagadora a segurança de que INDETECTÁVEL = INTRANSMISSÍVEL (I=I), boa parte dos profissionais de saúde, organizações governamentais e sociedade civil não assume este discurso, mantendo portadores do HIV ignorantes com relação aos benefícios de se manter com a carga viral suprimida. Com a desculpa de que o paciente pode abolir métodos convencionais de prevenção e que a abordagem do I=I trata indivíduos HIV+ como vetores, informações importantes continuam sendo privilegiadas.


Recentemente, estudiosos afirmaram que falar sobre a não transmissão do HIV por indetectáveis é um direito humano e deveria fazer parte do discurso de todos. Segundo eles, o conhecimento sobre questões como esta podem fortalecer a adesão à terapia antirretroviral (TARV) e reduzir drasticamente o estigma das pessoas que vivem com o vírus.


Segundo artigo na The Lancet, "Os profissionais que cuidam de pessoas que vivem com HIV devem informar universalmente seus pacientes sobre o I=I como parte de seus cuidados de rotina". Para eles "Transmitir benefícios e riscos em torno de qualquer tratamento é fundamental para a tomada de decisão dos pacientes, e este benefício para o tratamento do HIV não deve ser uma exceção."


Entre os vantagens do conhecimento sobre o I=I, podemos destacar:


1. estímulo às pessoas HIV+ para iniciarem e aderirem à TARV para atingir a carga viral indetectável;

2. benefícios psicossociais, reduzindo o medo ao se relacionarem afetivo-sexualmente, diminuindo o estigma internalizado e a ansiedade de uma possível infecção;

3. impedimento de punição pela transmissão do HIV por pessoas que estão em tratamento;

4. redução do estigma dentro das comunidades mais afetadas pelo HIV, encorajando a testagem e diminuindo a ansiedade no início do tratamento.


O Super Indetectável é uma iniciativa que trabalha com evidências científicas e comunitárias, se baseando sempre em fatos e não em "achismos". Acreditamos e fomentamos o discurso que promove o I=I.


REFERÊNCIAS

1. The Lancet: Viral suppression and HIV transmission in serodiscordant male couples: an international, prospective, observational, cohort study. Jul/2016. Disponível em http://bit.ly/2VsJ2vM

2. JAMA: Sexual Activity Without Condoms and Risk of HIV Transmission in Serodifferent Couples When the HIV-Positive Partner Is Using Suppressive Antiretroviral Therapy. Disponível em http://bit.ly/2G512XC

3. i-Base: Zero HIV transmissions in PARTNER 2 study after gay couples had sex 77,000 times without condoms – an undetectable viral load stops HIV. Disponível em http://i-base.info/htb/34604

4. WHO: Viral suppression for HIV treatment success and prevention of sexual transmission of HIV. Jul/2016. Disponível em http://bit.ly/2UC0Ffk

5. AidsMap: U=U is a human rights issue. Mar/2019. Disponível em http://bit.ly/2WPrHgP

6. The Lancet: Providers should discuss U=U with all patients living with HIV. Abr/2019. Disponível em http://bit.ly/2FT36ku

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